Quinta-feira, Maio 22, 2008

Vem até mim


Espero por ti na varanda sobre a rua iluminada.
Levanto minha mão e procuro a resposta da tua presença;
Invisível vens para mim como o ar quente da ilha tropical,
Zona especial para onde me elevo quando te busco.
Entre a areia fofa e o mar calmo da ilha
Troco a areia amarela pela pele do teu corpo e ao
Tropeçar na pedra macia, me vejo em teus olhos lindos
E deixo-me perdurar até que a maré nos faça unir num só!

Domingo, Março 16, 2008

Seguidor do Sucesso


Sigo sem pressa um sonho dançante
Sobre a sina que se estende no cimo
De um serro que mais parece um adoçante
Se o separar entre o sete e o cinco.


Seis príncipes surreais
Unem-se com tal esforço
Que o Sol e as sombras
Envoltam-se num simbólico torso.


Sem muita sorte, prossigo
Atrás de tais cães como um caçador;
E neste cavalo veloz consigo
Suster o doce e vitorioso sabor.


Pois num solo de suco castanho,
Propriedade que só vale um terço...
Avanço num súbito salto
Como Seguidor constante do Sucesso!


Segunda-feira, Março 10, 2008

Grão de areia numa concha da vida

Ao ouvir o ruído das ondas a abraçarem a areia molhada, circulo até lá. Não tenho pressa, apenas rolo ao sabor do vento. Sou o grão de areia que juntamente com o outro grão de areia que vem de fora formamos uma mão cheia de pó ao relento. Sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, onde chegando a outra praia distinta renasço noutro grão de areia. Como pequeno grão de areia que sou, vou subindo devagar a duna mas nem sempre na mesma rotina, pois os caminhos parecem-me sempre diferentes. Os grãos tornam-se ora castanhos, ora amarelados, ora tao brancos da luz incidir, que quando olho para eles me vejo em mim, bolinha pequenina mas consistente. Também sou resistente, no entanto até uma determinada temporada, onde a ondulação me vai cavando, até deixar de existir. Até lá sigo meu destino, palco ainda do meu tempo de actuar no cimo de todas as infímas pedrinhas redondas. Páro, escuto o som que vem de dentro da concha e reparo que algo me chama. É o mar. "Vem ter comigo meu amigo", implora ele já sem forças rastejando o máximo que consegue pela areia molhada. Esta é a minha vida.

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Ir ao Teu Encontro

Esta saudade cada vez me possui mais! Subo até à última pedra agreste do monte mais alto para ver se te vejo e lá bem ao fundo, sobre o diluir da paisagem entre o azul esbotado do céu com o azul fresco do mar, vejo uma face. A tua face presente em todos os objectos da natureza... Não me sais da cabeça, e olho para um e outro lado e só te vejo a ti! Não vejo árvores, ou montanhas, ou verde, nem lá ao fundo cidades, ou prédios, ou estradas... mas sim a ti! Todas as formas e relevos performam uma silhueta esbelta, como quem espera por alguém. Te quero fugazmente! Salto por cima de cada pedra e rocha, frias de tanto tempo perdurarem mas quentes do sol bater, e continuo a percorrer quase sem fôlego um caminho que não tem trilho. Quero é a ti, minha meta única! As ervas secas, porém brilhantes, do orvalho cair, deslizam para onde o vento as sopra. Mas eu só tenho um sentido: ir em frente, onde te vejo num rosto suave e sorridente. Não me importo com o gélido tempo à minha mercê nem com o forte vento que sopra em todas as direcções. Após o arco-iris urbano, finalmente te encontro, tal como te esperava: fascínio de uma veneração constante! Elevo meu braço com um pequeno tesouro nas minhas maõs que apanhei pelo caminho: flores, as tais que antes secas da época estival, agora coloridas e harmoniosas do brilho ofuscante se transformaram, através do melhor arco-iris presente: TU!

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Acordar Eterno

À medida que acordo, olho para os teus olhos. Continuas a dormir no quentinho dos nossos corpos. Dou um beijo requintado mas suave na tua testa e levanto-me. Vou à janela da varanda do meu quarto e, reparando no rodopio dos grãos de areia pelas dunas, que o dia está ventoso. O ambiente está calmo cá dentro. Vou novamente até ao pé de ti e vejo que ainda dormes, esbelta com aquele ar carinhoso como um bébé no berço de sua mãe. Reconforto teus ombros e dirigo-me para a cozinha. Envolto de madeira rústica acastanhada tipo mel, vou buscar uma caneca. Tomo o meu café a olhar para as ondas repentinas do mar. Aí abro a porta onde dá para a esteira também embubecida em madeira pinho-mel. Perante o corrimão paralelo à casa, também este num castanho bravio, fixo meu olhar na ervinha verde amarelada dobrada já pelo vento matinal numa duna imperfeitamente desfeita. Tenho frio. Aqui sento-me numa cadeira em forma de sofá, onde a manta me aconchega. . . Já com os meus olhos semi-cerrados, chegas tu. Meu sorriso diz-te um bom-dia e neste gesto acolho-te junto a mim debaixo da manta púrpura. E aqui ficamos os dois numa leitura terna à sombra do desgaste eterno da madeira empregnado na terra firme mas suave das dunas. . .

Terça-feira, Novembro 06, 2007

Memória de Pêxe










O Pêxinhe vê a Pêxinha e vai ter com ela do outro lado do aquário, todo contente. A meio tropeça numa pedrinha. Mesmo com uma barbatana dorida vai ter com a Pêxinha, a se queixar da maldita pedra. Passados 6 segundos, já estando com a Pêxinha, comenta que lhe dói a barbatana direita, mas não se lembra porquê. Quando o Pêxinhe volta para casa, ainda se queixa da sua barbatana, mas sem se lembrar de nada. Quando foi adormecer, lembra-se do belo momento que passou nessa tarde com a sua Pêxinha.
No dia seguinte, quando ia ter novamente com a sua Pêxinha, volta a passar na mesma pedra e a tropeçar nela. Chegou ao pé da sua Pêxinha, exclamando que lhe doía a sua barbatana traseira, mas que não sabia o que se tinha passado. Porém tinha que vir ali pois tinha enormes saudades da sua Pêxinha.
O Pêxinhe continuou todos dias a ir ter com a sua Pêxinha e a escorregar sempre na mesma pedrinha. Até que um dia a Pêxinha perguntou-lhe: "Tão mas como é que nunca te lembras porque é que te dói todos os dias as barbatanas e mesmo assim consegues te lembrar deste caminho?" Ao que o Pêxinhe respondeu: Pois não sei que força de esquecimento é esta, mas a força da tua Lembrança apegada a Ti sobrevalece a tudo!"

“A memória de um peixinho dourado dura só três segundos. Então, depois de uma volta pelo aquário, tudo é novidade. Cada vez que dois peixinhos se vêem, é como se fosse a primeira vez”.
Ou será seis segundos...? Ups desquécé-me :P

Mas de Ti é que nunca me esqueço! E lá estou outra vez a lembrar-me de ti. . .
Ah e outra vez. . . . e outra. . . . =D




Aaaaaaaar

Percorro meus olhos entre os teus, onde tua Alma revigorante entre a colina se destaca... Evidencio este espaço calmo ao toque macio da nossa pele. O tempo revitaliza uma saudade tanta, que ao olhar apenas para o ponteiro dos segundos viajo intensamente até Ti!
Percorro teus olhos tranquilamente nos meus. Afirmas, estes, serem verdes, apenas digo que são a expressão do resguardo da tua imagem. Imagem idealizada paisagística. Identidade amorosa!
Os 6 sentidos seguem-se delineados numa rota intensa:
. toco-te nessa pele suave. . .
. olho-te em grande beleza. . .
. cheiro esse teu perfume de amora. . .
. ouço-te naquela serenata encantada. . .
. saboreio-te num paladar excepcional e. . .
. Adoro-te em forma de cores do arco-iris! Cores, essas, que nunca mais acabam!

Terça-feira, Agosto 21, 2007

Convento de Cristo (Tomar)


O Tempo passa, mas a Origem perdura!

Janela Manuelina no Convento de Cristo (Tomar)


Atribuída a Diogo de Arruda, é um dos mais originais exemplos do tardo-gótico manuelino, executada entre 1510-1513.
Bem se pode dizer que: Isto sim, são rabicoques!